“Minha filha iria fazer 23 anos no próximo 17 de abril, e a única coisa que ela havia planejado junto comigo era: “vamos chamar o papai para almoçar e passear o restante do dia na praia...”. Todos os dias quando acordava, ela ia até o meu quarto e me dava um grande beijo no rosto e dizia: “bom dia flor do dia” - eu sinto falta disso já faz uma semana, e mesmo sendo uma semana, já é uma eternidade sem a minha filha. Ela não tinha namorado, e nem muitas amigas, não era popular na faculdade, mas todos a conhecia, e todos que a conhecia queria ter a chance de se aproximar dela, pois ela era uma pessoa que contagiava as outras ao seu redor com a sua imensa alegria de estar viva e gostar de viver a vida. Mas quando ela foi até o meu quarto naquela manhã do dia 19 e meu deu aquele beijo doce e maravilhoso, eu não sabia que seria o último beijo que eu iria receber da minha filha, mas o coração de mãe sente quando algo está fora do lugar. Meu Deus, como eu insisti para ela não ir ao banco naquele dia, mas a minha doce filha sempre foi ansiosa e sempre quis resolver tudo ao seu modo, então ela estava decidida, afinal, estaria acertando os últimos detalhes para dar entrada no seu primeiro carro, um sonho dela. Quem você pensa que é para brincar de ser Deus e tirar a vida das pessoas? Você me amaldiçoou, pois está me forçando a sepultar a minha filha, quando o que eu mais queria é que ela me sepultasse. Eu não te conheço e nunca te vi na minha vida, mas do mesmo jeito você me atingiu e arrancou o meu coração e tirou a minha alegria, a minha fonte de vida. Até as estrelas parecem brilhar menos e o sol não parece ser tão radiante como era antes. Eu não te conheço, mas peço a Deus para te perdoar.”
Ele acabou de ler a carta. Então começou a chorar. E quando não havia mais forças para chorar, começou a gritar, e quando os gritos começaram a falhar, tomou uma decisão, e a decisão tomada resultou no seu último suspiro e na sua última lágrima de lamentação e de profundo desprezo.