Apenas divirta-se, a vida é curta...

sábado, 27 de março de 2010

Carta IV

Tem certas pessoas que estão no lugar certo e na hora certa, mas existem aquelas pessoas que não deveriam estar ali. O assaltante entra no banco e faz uma refém. Da mãe da vítima para o assaltante.

“Minha filha iria fazer 23 anos no próximo 17 de abril, e a única coisa que ela havia planejado junto comigo era: “vamos chamar o papai para almoçar e passear o restante do dia na praia...”. Todos os dias quando acordava, ela ia até o meu quarto e me dava um grande beijo no rosto e dizia: “bom dia flor do dia” - eu sinto falta disso já faz uma semana, e mesmo sendo uma semana, já é uma eternidade sem a minha filha. Ela não tinha namorado, e nem muitas amigas, não era popular na faculdade, mas todos a conhecia, e todos que a conhecia queria ter a chance de se aproximar dela, pois ela era uma pessoa que contagiava as outras ao seu redor com a sua imensa alegria de estar viva e gostar de viver a vida. Mas quando ela foi até o meu quarto naquela manhã do dia 19 e meu deu aquele beijo doce e maravilhoso, eu não sabia que seria o último beijo que eu iria receber da minha filha, mas o coração de mãe sente quando algo está fora do lugar. Meu Deus, como eu insisti para ela não ir ao banco naquele dia, mas a minha doce filha sempre foi ansiosa e sempre quis resolver tudo ao seu modo, então ela estava decidida, afinal, estaria acertando os últimos detalhes para dar entrada no seu primeiro carro, um sonho dela. Quem você pensa que é para brincar de ser Deus e tirar a vida das pessoas? Você me amaldiçoou, pois está me forçando a sepultar a minha filha, quando o que eu mais queria é que ela me sepultasse. Eu não te conheço e nunca te vi na minha vida, mas do mesmo jeito você me atingiu e arrancou o meu coração e tirou a minha alegria, a minha fonte de vida. Até as estrelas parecem brilhar menos e o sol não parece ser tão radiante como era antes. Eu não te conheço, mas peço a Deus para te perdoar.”

Ele acabou de ler a carta. Então começou a chorar. E quando não havia mais forças para chorar, começou a gritar, e quando os gritos começaram a falhar, tomou uma decisão, e a decisão tomada resultou no seu último suspiro e na sua última lágrima de lamentação e de profundo desprezo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Carta III

Isaac Newton disse: “a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas”. Da alegria para a tristeza.

“É tão engraçado como podemos viver sobre o mesmo corpo e ter que dividir certos momentos. Como eu adoro aquela sensação de paz de espírito, aquela sensação que reina em momentos que ficarão marcados como, mágicos, e confesso que não consigo entender como você ainda possa estar vivo, digo, como você ainda consegue estragar estes momentos, como você pode ser frio e egoísta a ponto de derramar lágrimas e se deliciar com isto. Saiba que nós podemos ser muito mais que apenas palavras ou sentimentos, nós somos fundamentais na existência da vida, afinal, eu com a minha alegria contagio as pessoas e provoco a tão sonhada felicidade resultando em batimentos mais rápidos no coração deixando a vida mais tranqüila e prazerosa de se viver, enquanto você provoca as pessoas e as deixa totalmente infeliz provocando uma onda de ressentimos que resulta no sepultamento do coração deixando apenas dores e marcas. Mas do mesmo jeito nós nos completamos, podemos dizer que somos essenciais para o equilíbrio das pessoas, é incrível, não é? Ainda é inacreditável que vivemos em harmonia nestas circunstâncias, um respeitando o espaço do outro. O que tenho a lhe dizer é: tente sorrir, e abandone essa carinha fechada, siga o meu exemplo, seja alegre.”

O sorriso é apenas a magia da alegria entrando em sintonia com o nosso coração, assim provocando uma onda de felicidade que se explode no ambiente contagiando quem está em volta, e bloqueando (por assim dizer) a tristeza que nos rodeia e que pode se transformar na nossa infelicidade.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Carta II

Após sua grave doença retornar de uma hora para outra o ex-marido decide escrever para a ex-mulher.

“Se lembra daquela doença que eu havia reagido bem aos medicamentos e os médicos chegaram a dizer que era um milagre eu estar totalmente curado? Então, ela voltou. A verdade é que ela nunca havia ido embora. Eu os forcei a falar aquilo tudo, para mostrar a você que eu estava bem, que eu estava curado, porque eu não queria te ver cuidando de mim, queria te ver vivendo a sua vida. Sabe, pensei muito se deveria ou não te escrever a respeito disso, e sabia que se não te escrevesse agora, ficaria muito tarde para o mesmo. Olha amor (por que ainda te chamo de “amor”? Já estamos separados há anos) não peço perdão, fiz coisas horríveis das quais não me orgulho e desejaria sinceramente poder acertar tudo, mas sou apenas um homem à beira da morte. Espero que me entenda, pois este era o único jeito de fazer você viver a sua própria vida e deixar-me sozinho sofrendo a minha. Hoje sei o quanto meu passado foi feliz ao seu lado, afinal, tinha a melhor esposa do mundo que sabia cuidar de mim, que ficava ao meu lado nos momentos mais difíceis que passei e que só de olhar para mim, sabia exatamente o que estava pensando. Se lembra dos nossos passeios na areia da praia, e que fazíamos promessas um ao outro? Você cumpriu todas. Lembro-me dizer que queria me fazer o homem mais feliz que já estivesse passado sobre a terra, e você conseguiu, enquanto eu amor, eu estraguei todas as chances de poder cumpri-las. A verdade é que fiz escolhas que a vida me obrigou a fazê-las e me arrependo profundamente de não ter sido homem o suficiente para lutar contra essa corrente. Apenas cuide-se, e saiba que sempre vou estar com você aonde quer que vá.
P.S.: Ta gra agam ort! – ainda se lembra?”

O que você acha que aconteceu logo após ela ter lido? Quando ela se deu conta, já estava dentro do carro com as lágrimas escorrendo por todo o seu rosto. Após algum torturante e angustiante tempo dirigindo para a casa dele, finalmente chega. Quando ela bate na porta e não obtém nenhuma resposta, decide entrar para ver se tem alguém em casa (ainda tem as chaves reservas) e para o seu grande desespero, acaba por encontrá-lo caído na sala de estar com uma foto dos dois ainda adolescentes na mão. Ela caindo em prantos, ajoelha-se ao seu lado, e com uma ternura enorme coloca a cabeça dele em seu colo, logo em seguida faz um sussurro em seu ouvido: “ta gra agam ort... eu te perdôo meu amor!”.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Carta I

Foi escrita de um filho para um pai. O filho foi preso não se sabe ao certo quantas vezes por tráfico de drogas, mas a única certeza era que esta estava sendo a última, e ele ficará por lá durante muito tempo.

“Ei pai, estou aqui novamente e novamente te deixei decepcionado. Não queria que fosse assim, na verdade, não foi como havia sido planejado. Eu só queria te dar sossego e uma casa na praia, onde lá poderíamos beber aquela nossa cerveja gelada enquanto ouvíamos o barulho do mar, porém agora é tarde para lamentações, mas saiba que conheci lugares que jamais imaginei que conheceria um dia, mas pai, você não estava lá comigo e não havia graça alguma sem você por perto. Às vezes eu penso o que eu seria se fosse metade que o senhor é, e chego à conclusão que eu seria um bom homem, pelo menos teria dignidade. Eu me lembro de quando era criança e o senhor me levava até o parque para brincar, e em um dos passeios, percebi que o senhor estava tão sério, estava com uma feição tão preocupada, mas eu era apenas uma criança (pai, algumas crianças sabem o que acontece), e então estava percebendo que estava acontecendo algo de muito grave. Então quando eu te chamava, você me atendia com um sorriso tão natural e gostoso, que ninguém poderia imaginar o quanto você estava agüentando firme as porradas que o mundo estava lhe dando, que ninguém percebia que por dentro o senhor estava precisando de ajuda, mas que não contava a ninguém, só para evitar preocupações. Hoje espero apenas que o senhor se cuide e que lembre-se apenas dos nossos poucos e bons momentos juntos. Tenho orgulho de ser o seu filho.”

Após muitos e muitos anos de conflitos e delírios da própria mente, o filho ainda se lembra da face de seu pai, mas jamais o reencontrou.

terça-feira, 16 de março de 2010

Vida

Vida: qual o verdadeiro significado dessa palavra misteriosa? Ao certo nunca saberemos. Vida... talvez poderia significar esperança. A cada nascimento vemos a paz, presenciamos a esperança nascer, vemos a alegria no ar e desenhamos largos sorrisos em nossos rostos, sim, ali vemos a vida nascer. Vida... talvez poderia significar felicidade. Simples ocasiões que estão presentes em todas as pessoas que nós amamos que estão presentes em todos os momentos presenciados, marcados, e claro vividos, que estão presentes a cada dia, no simples ato de respirar e soltar um suspiro, que irão estar presentes quando nossos filhos crescerem e se tornarem pessoas melhores que somos, afinal, nós já os amamos mesmo sem esses pequenos anjos nascerem. Vida... talvez poderia significar injustiça. Afinal os nosso lideres estão tão cegos, tão obcecados por tesouros naturais que estão nos matando pouco a pouco sem percebermos, que estão matando todo o futuro da humanidade e todo um planeta construído com tanta perfeição sob as mãos de Deus, que estão fascinados em conquistar a glória que acabam por destruir o que há de melhor dentro de si mesmo, a dignidade, – pobre deles, mal sabem que a verdadeira glória é estar vivo, afinal, Deus nos concedeu o dom único de sentir e ser sentido. Vida... talvez poderia significar momento. Sim. Pode ser a palavra que se encaixe perfeitamente. O primeiro momento: nascimento. O anjinho que nasceu veio apenas para cuidar da gente, porém ele não pediu permissão para entrar em nossas vidas (ele tem uma missão) então acabamos por aceitar e aí é que se torna família. Família, o segundo momento. O momento do casamento onde selemos um trato perante Deus, o momento de sermos protegidos, amados, ensinados sobre o certo e o errado, sobre ganhar e perder, sobre como construímos algo no passado para poder morar no presente e viver no futuro, sobre como a morte machuca. Morte, o terceiro momento. Onde podemos ver com a mais absoluta clareza que aqueles anjos que entraram em nossas vidas, foram para nos mostrar o quanto nós somos amados, vemos que as pessoas que mais amamos se vão (assim como iremos um dia), algo tão misterioso quanto à vida. Talvez seja um dia que vale a pena ser vivido, onde lembramos das coisas maravilhosas que fizemos, das pessoas que nos amam (amaram). Morremos para dar continuidade à vida, mas sabemos que no fundo, nunca morremos. Então descobrimos que quando alguém parte, pode significar que um outro alguém estar por chegar, porque a vida é assim, misteriosa, e talvez nunca vamos descobrir o seu verdadeiro significado. Apenas vamos viver, pois a vida (essa sim) é curta e surpreendente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tempo!

Não somos senhores do tempo para poder controlá-lo ou dominá-lo ou talvez até manipulá-lo, somos apenas pequenos seres que sofremos ao passar do tempo, sofremos apenas porque o tempo passa e não pára no instante em que queremos e simplesmente não passa no momento em que queremos. Somos apenas pequenos seres que lamentamos as oportunidades perdidas e esquecemos-nos de erguer a cabeça e seguir adiante, pois o tempo (novamente ele) não vai nos esperar, ele vai continuar nessa sua rota e permanecerá assim até o fim da estrada, passando por cima do presente e se distanciando do passado, mas chegando próximo ao futuro. Somos apenas pequenos seres vivendo num universo inexplicavelmente gigantesco e sem fim. Num universo onde as palavras ditas e flechas atiradas não voltam ao tempo (novamente ele), tempo este indeterminado, instável e por que não incerto?! Somos apenas pequenos frutos prontos para crescer e continuar nesta jornada que a vida nos oferece, prontos para tentar continuar lutando contra ou a favor do tempo (novamente ele) que passa e a gente nem se dá conta dele, e quando percebemos já passou a hora, mas sempre há uma estrada para continuar a trilhar. Somos seres que esperamos angustiantemente “algo” esperado (ou inesperado) acontecer, que esperamos o inexplicável aparecer ou apenas esperamos o tempo passar e nos surpreender! Somos seres que vivemos entre dois grandes mistérios: a vida e a morte. Porém o que importa nisso tudo sendo que as decisões de Deus são misteriosas, mas sempre estão ao nosso lado? Somos seres que sempre buscamos respostas para as perguntas que não tem, e talvez nem com o passar do tempo possa respondê-las. Somos apenas pequenos seres lutando para continuar sobrevivendo e vivendo para continuar a viver no tempo, afinal, a vida é uma caixinha de surpresa...